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Conheça um Pouco da história de Porto Franco

Nossa História
Livro “Porto Franco, terra que amo” – Renato Sérgio C. Carvalho 

O LIVRO DO TOMBO

A história de Porto Franco é mais antiga do que se possa imaginar. Pesquisando fatos, acontecimentos inéditos, conseguir chegar a dados importantíssimos sobre minha terra.

Relatos que provam a existência de moradores desde 1812 (108 anos antes da emancipação política de Porto Franco), e como em todos as paróquias, freguesias dos frades religiosos capuchinhos se mantêm um livro que registra todas as ocorrências reais e naturais do lugar. É o denominado “LIVRO DO TOMBO”, uma espécie de diário-ata que registra alem dos fatos religiosos, sucessões, transmissões de cargo, visitas de autoridades religiosas e civis. Acreditando-me que os dados sejam de suma importância decide relatar tudo que se refere à historia de nosso município, então transcrevo na íntegra:

O INÍCIO DE PORTO FRANCO

Em 1812 em nossa região habitavam seis espécies de índios, na proximidade da serra da cinta, ao norte, os krikatis na parte leste os guajajaras, e na aparte oeste (mais precisamente onde hoje é a parte urbana da cidade), residiam os canelas e ao sul os urubus, gaviões e apinagés.

Dois grandes fazendeiros fincaram em nossa região seus mourões de currais e iniciavam ali próximo a serra da cinta os primeiros rebanhos bovinos.

Segismundo Rodrigues Chaves, o primeiro ocupante do território e leste da cinta, e a segunda foi à família Cerqueira, que nesse mesmo ano após um grande susto pelos índios perdeu sua cinta cheia de valores na  citada serra, dando, portanto mais tarde o apelido de serra da cinta.

Então o senhor Francisco Cerqueira se uniu com Segismundo Rodrigues Chaves e começa a caça aos índios que mais tarde veio resultar na extinção dos mesmos. Nesse período de 1812 já andavam em nossa região os Bandeirantes por ventura para catequizar os demais índios.

O senhor Segismundo passa então a ocupar a maior parte da terra desta região que começa do norte da serra da cinta à sul com o norte de Goiás dividido pelo rio Tocantins.

De leste da vila imperatriz, a sul com Carolina, com quase 5 mil kilômetros quadrados a maior fazenda da região. Como paróquia pertencíamos a diocese de Grajaú.

O senhor Segismundo é portanto o homem mais rico desta região. Com a evasão indígena na nossa região permanece somente um pequeno grupo de canelas, e os apinagés que mudaram pra nova terra atravessando o rio fixando morada ao norte do Goiás.

No ano de 1818 começa o início do povoado de boa vista. Quando os bandeirantes chegaram para catequizar os índios Apinagés da região. Começa ali suas primeiras ramificações comercias. E no ano seguinte 1819 Segismundo começa a atravessar o rio para adquirir mercadorias sendo que antes tinha que se deslocar até Grajaú.

Então o senhor Segismundo Rodrigues Chaves fica feliz ao nascer sua primeira filha em 1820 por nome Clara Rita Chaves e no ano seguinte é agraciado com outra filha. Ao contrario da prole de Francisco Cerqueira que começam a nascer em 1812 o primogênito pelo mesmo nome do pai e do avô, Francisco Felix Cerqueira. Este veio a ter muitos irmãos. Luiza Rosa de Cerqueira, Júlio de Cerqueira, Torquato Felix e muitos outros.

Todos os Cerqueira dessa geração casaram e tiveram bastante filhos, menos Luiza Rosa de Cerqueira que se casou com um pernambucano por nome Alexandrino Gonçalves da Silva e só tiveram dois filhos, Jorge e Venceslau. Jorge nasceu em Boa Vista em 1834 e seu irmão no ano seguinte.

Chega na nossa região José Bento Moreira comerciante vindo de São Paulo. Voltando a família de Segismundo, no ano de 1836, aparece no sertão um simples vendedor de mercadorias, moço pobre por nome de Leonardo Pereira de

Araújo Brito, este, natural de Caxias, faz amizade com Segismundo e casa com dona Clara Rita Chaves, mulher rica, de muitas posses de terra, e sua outra irmã casa-se no mesmo dia com Francisco Felix da numerosa família Cerqueira. (12/06/1836)

Os dois genros de Segismundo fixam moradas próximos um do outro, como a extensão de terra era enorme, o sogro permitiu que se escolhessem um pedaço de terra de seu agrado.

Francisco Felix de Cerqueira, fundou a fazenda macacos, à beira do riacho deste nome e Leonardo Pereira de Araújo Brito, fundou a fazenda santa Ana, à beira de outro riacho, que tomou o nome desta fazenda ambos do lado ocidental da cinta, os dois riachos são confluentes do Lajeado.

Leonardo Pereira de Araújo Brito, que com a morte do sogro Segismundo, teve o controle total dos bens deixados à sua esposa Clara Rita, e não só administrou, como conservou e multiplicou as terras e o grande rebanho.

Em sua prole com Clara Rita tiveram dois filhos Tiago e Hemenegildo, e três filhas.

Os anos foram se passando em 1852 no dia 31 de julho foi criado o distrito de boa vista, lugar que Leonardo comprava mercadorias e ali tinha adquirido muitas amizades principalmente com Ambrósio Silva, natural de Filadélfia.

Houve uma grande rebelião em boa vista e em virtude de tais acontecimentos muitos que ali residiam foram obrigados a fugir para não serem aprisionados.

Alguns para Filadélfia, outros, para Carolina ou Pedro Afonso.

Alguns fugiram a nado para o maranhão, terras de Leonardo e mandavam buscar suas esposas e aqui construíram pequenos “barracos” de palha e começam uma vida nova, ainda que sem estrutura, mas como o local oferecia muitas riquezas vegetais como por exemplo o babaçu.

No ano de 1855 Leonardo Pereira de Araújo adquire a patente de tenente coronel da guarda nacional, e no ano seguinte já existindo 13 casas e nelas habitando 17 famílias alguns ainda se sentiam à perigo por medo de serem resgatados de volta a boa vista. Nessa época Leonardo também constrói uma pequena casa para ali se abrigar, pois vinha da sede de sua fazenda e não era possível retornar no mesmo dia, pois a distância era de 76km a norte no novo nome antes fazenda Santa Ana, agora fazenda São José.

Em 1856 subindo rio acima para comercializar suas mercadorias um grande barco-motor passava de porto em porto e ali era atribuído uma pequena taxa de comercialização no porto.

Não existia naquela época estradas e o único  meio de transporte era o fluvial.

Vindo de Belém do Pará, mercadorias como o sal, tecidos e muitos outros produtos em embarcações rústicas chega no porto de boa vista José Joaquim Severino, o qual já conhecia toda a rota de Belém a Porto nacional.

José Joaquim era o dono dacaravana  acompanhado por seu cunhado Emiliano Rodrigues e um grande número de pessoas que cumpunha a embarcação.

Ao chegar no porto de Boa Vista conversou com Ambrósio Silva de aproximadamente 60 anos de idade, natural de Filadélfia perguntou se por ventura subindo rio acima,antes de Carolina e Filadélfia havia algum novo vilarejo. Pois o mesmo queria estabelecer comercio e aumentar suas vendas.

Ambrósio Silva o informou sobre a pequena vila que se formara do outro lado do rio e falou das terras de Leonardo que por ocasião estava na pequena viela já mencionada. Uma pequena colônia de 13 casas contendo 17 famílias.

A convite de José Joaquim Severino, Ambrosio foi ao pequeno vilarejo. Mas, o fato mais importante de tudo foi a hospitalidade com que os moradores receberam José Joaquim ao lado de Ambrósio Silva que era conhecido de todos. As boas vindas aos tripulantes da grande embarcação;

– “Sejam todos bem vindos ao nosso humilde porto!”

Leonardo Pereira de Araújo Brito completou dizendo:

– O porto aqui é franco (este foi o fator principal da criação do nome da cidade), que com o desejo de desenvolver suas terras e valoriza-las, doou parte das terras a José Joaquim Severino que promete fazer prosperar o lugar. José Joaquim, católico, fervoroso na fé edificou aqui a primeira capela, toda de palha mas bem feitinha a capelinha tendo como orago nossa  senhora da conceição. Deixando toda a pequena viela devota da mencionada santa.

José Joaquim Severino passa um longo tempo para Belém quase dois anos. Conhece uma paraense muito bonita e decide se casar e vim de vez para o Povoado este que cresceu instantaneamente pois José Joaquim patrocinou as primeiras construções publicas. Já no ano seguinte 1858 Boa Vista em  28 de julho foi elevada a categoria de cidade e a pequena vila recebe o nome de Porto Franco e é elevado a categoria de freguesia. (povoado sob aspecto eclesiástico).

E José Joaquim trás para Porto Franco o padre Melquiades Fernandes de Minas  gerars. Tornou – se amigo de Leonardo Pereira de Araújo após celebrar em sua sede, fazenda São José os casamentos de; dona Maria Pereira Araújo, filha de Leonardo com Jorge Gonçalves da Silva, filho de Alexandrino Gonçalves e Luiza Rosa Cerqueira. Joana Joaquina Pereira de Araújo com Manoel José de Sousa Brasileiro, filho de Procópio de Sousa.

Venceslau Gonçalves da Silva, irmão de Jorge casa-se com a terceira filha de Leonardo e foram morar na fazenda oiti de propriedade de seu pai Alexandrino.

Jorge fundou a fazenda São Jorge próximo a antiga fazenda santa Ana e por renome São José, separado de Leonardo seu sogro apenas por um riacho.

Tiago Pereira Araújo irmão de Joana Joaquina, casou-se com a irmã de Manoel de Sousa Brasileiro na mesma ocasião. Todos num só dia em 15 de julho de 1859.

Todos esses casamentos feitos por padre Melquiades Fernandes, que após retornar da fazenda São José, constitui família com uma senhora por nome dona Bonfim, mas não largou a batina. Em outubro do renomado ano 1859, sobre a lei provincial nº 524, cria-se o distrito com transferência para Imperatriz.

Só em 1860 foi construída uma igrejinha mais ampla, toda de pedra, às custas de José Joaquim Severino. Conforme acordo assinado entre ele e o então governador da província, José Maria Barreto,e em 1861 o mesmo construiu o primeiro cemitério onde hoje é um bananal ao lado da casa de dona Olindina de propriedade da paróquia. Do enlace matrimonial de dona Maria Pereira e Jorge Gonçalves, tiveram  sete filhos, dois do sexo masculino, Amélio e Horácio, e cinco do sexo feminino, sendo que a caçula mais tarde se casa com Martiniano Moreira, primo de Leão Rodrigues de Miranda leda, filha de uma irmã de Francisco Moreira.

A lei provincial nº 631, de 05 de dezembro de 1862, restabeleceu a primitiva sede, continuando, porém o distrito a pertencer a aquele município subordinado ao município de santa Tereza de Imperatriz registrando toda distorção nos estudos topográficos anteriormente efetivados.

No ano de 1878 ocorreu a morte de José Joaquim Severino o fundador de Porto Franco e seu cunhado Emiliano Rodrigues (o registro não relata como ocasionou suas mortes) Sendo os dois enterrados no mencionado cemitério. Jorge Gonçalves tornou-se capitão da guarda nacional, rico, poderoso e político.

Porto Franco então vai recebendo mais famílias e padre Melquiades mesmo exercendo o sacerdócio teve vários filhos veio a falecer em 1888 e sepultado no mesmo cemitério ficando o distrito de Porto Franco aos cuidados do padre Casimiro apenas seis meses e em seguida padre Balduino Pereira Maria, que celebrou o casamento de Bernardina filha de Jorge com João Sabino.

Padre Balduino gostava mesmo era de política, amigo número um de dona Joana Joaquina, casou Claro José de Fonseca, numa grande festa em elevado banquete.

Venceslau, Jorge, e Leonardo eram as maiores influencias na câmara de Imperatriz.

Padre Balduino era de um esmero esforço pelo também partido liberal, sacrificava seus próprios interesses comprometia seu futuro à paixão partidária, era um agiota que vivia de emprestar seu dinheiro a seus protegidos. Trabalhava em torno de lucro.

Ligado a Leonardo, Jorge e a Venceslau padre Balbuino lutou com Leonardo para transferi a comarca de Imperatriz que dividia-se em duas partes bem distintas:o primeiro que é a cede da comarca e o distrito de Porto Franco, acima do lageado vila mais fraca.

Imperatriz continha um grande numero de fazendeiros e em grandes vantagens, mas Porto Franco lutou muito tempo para ser sede de comarca, mas não conseguiu.

Com a perda da causa o já então velho Leonardo ficou desgostoso e se desfiliou de seu partido político.

Porto Franco tinha os Cerqueiras, Jorge, Venceslau e Leonardo que lutavam contra os Bandeiras, Amaro, Raimundo Milhomem, Domingos Gomes e Manoel Gomes, que depois rompe-se e os Bandeiras se aliaram a Jorge e Venceslau que criaram o partido liberal que governou 1880,essa aliança matou aspirações de Porto Franco, porque o grupo de Silvério, morando em Imperatriz, não queria a transladação de sede. Então os Cerqueiras tornaram inimigos dos Bandeiras.

Boa Vista absorveu pouco a pouco o comercio e a renda de Porto Franco.

Os Cerqueiras em grande número foram arrebatados pela morte e os que restaram tornaram se pobres.

A comarca se fizera quase toda governista. A exceção era Jorge único oposicionista ao governo. A mando dos “grandes” recebeu sentença de morte.

Onde foi surpreendido por soldados do capitão Pedro Ascenço que depois de levar vários tiros foi esfaqueado pelo soldado Elpídio. Jorge havia cutucado os grandes com vara curta, conduzindo votos e apoio a Costa Rodrigues e Barbosa Godóis por isso foi considerado perturbador da ordem.

Em 1889 morre Leonardo Pereira de Araújo Brito, e o mesmo foi enterrado na sede se sua fazenda São José que na época tinha dois engenho de moer cana para produzir rapadura e a tradicional cachaça, e muitos funcionários.

Digo quando informado deste cemitério que guarda os resto mortais de Leonardo Pereira de Araújo Brito, procurei bastante sem nenhum sucesso, até que certo dia numa conversa com Erivaldo Marinho de Aguiar ex-prefeito e João Carlone me revelaram o que eu tanto procurava, o tal cemitério que encontrado por Carlone e Edem seu irmão após uma derrubada na fazenda pelo mesmo nome São José.

Foi uma verdadeira descoberta arqueológica para mim que decidi buscar informações o miúdo sobre nossos ancestrais.

Porto Franco passa então a ficar sobre jurisdição dos padres de Carolina. O nosso território começa a tomar rumos diferentes, eis que surje a presença de pequenos vaqueiros cuidando dos rebanhos.

As pequenas lavouras manuais começam a se desenvolver, barcos aparecem com mais freqüência não só vendendo, mas comprando o babaçu, o couro do gado e outras mercadorias.

No lugar chamado serra da cinta antiga fazenda oiti, que depois passou a se chamar fazenda São Bento, a mesma foi vendida por Hortência, uma filha de Venceslau Gonçalves da Silva a Enna Teodora Moreira fazendeira rica residente em Carolina a mesma doou as terras aos parentes “Moreiras” no ano de 1902 confiando todo poderio a seu primo D’jalma Santos Moreira lá habitaram: José Afonso Moreira (pai de Fortunato Moreira Neto o poeta maçaranduba) os filhos de Bento Moreira, Martiniano, Clementino, Torquato Felix, Francisco, Fortunato e Juliana, os filhos de Perpétua Moreira, Dico, Fortunato e D’jalma Santos.    onde hoje se chama Vão do Marco um povoado criado pelo mesmo D’jalma  em 1958 hoje município de São João do Paraíso.

Fato importante que não posso deixar de narrar é sobre as patentes que na época eram compradas, ou seja quem tivesse o suficiente adquiria a patente que quisesse usufruir.

Morar na cinta local perigoso onde 1812 começa a historia de Porto Franco, era um tanto quanto difícil, eis que lá habitava violência na pessoa de Francisco Cerqueira, chefe de uma grande quadrilha de facínoras, usava nome falso de Francisco Alves de Oliveira Lima, nome  que adotou em conseqüência de desavença familiar em 1890.

Francisco Cerqueira era um homem acusado de números crimes, roubo de gado, homicídios, um homem totalmente impune.

Entre seus crimes mais bárbaros estão a morte de 2 presos, quando a tropa os conduzia para a cadeia de Grajaú, um muito jovem ainda, mas escravo do finado Joaquim Henrique, e o outro bem mais velho por nome Ezequiel Mamão, este que comprou um cavalo e pagou avista mais o dono se arrependeu e tentou desfazer a venda, então Ezequiel não concordou. O então dito fazendeiro decidiu acusá-lo de ter roubado o cavalo, sendo que o mesmo senhor que morava na margem no rio farinha era um homem honesto e trabalhador.

Ezequiel nem ao menos foi ouvido por ser pobre, só teve valor acusação do rico fazendeiro, Francisco Cerqueira se entreviu na conversa e matou os 2 presos, arrastando de cavalo por uma corda amarrado aos pés sobre terreno rochoso.

O jeito mais pratico de morar nessa região da cinta era submeter-se as imposições de Cerqueira, chamá-lo de capitão, ou melhor capitão Chiquinho, puxá-lhe o saco e não proferir palavra alguma contra o senador Benedito Leite, cujo o partido pertencia, viver sorrindo e aceitando os constante roubos de gados efetuado por Cerqueira.

Reclamar a às autoridades era totalmente inútil, eis que provocar a ira de Cerqueira poderia ser muito perigoso e custar caro, além de nenhuma providencia ser tomada contra o mesmo.

Perseguia famílias inteiras, tomando-lhe as terras como fez com as de Antonio Alves Ferreira.

Ateiava fogo em casas com pessoas dentro.

Pronunciava em voz alta, “QUANDO NÃO GOSTO DE UMA PESSOA, EU A CAÇO COMO SE CAÇA UM BICHO DO MATO”.

De tanto perseguir as pessoas inocentes na noite de 15/01/1898 Cerqueira foi encurralado na própria casa pelo capitão Geminiano com bastantes homens vindo de Boa Vista do Goiás, e atacou Cerqueira e seus 3 filhos: Theodorico, Alfredo e Julião.

Os filhos de Cerqueira só possuíam muita jactância, mas quando o negócio esquentou todos se acovardaram, mas o grupo do capitão não poupou nem um deles.

Após a morte de Cerqueira e seus filhos, o morticínio cessou, mulheres e crianças foram poupadas e assim a paz reinou na cinta.

Então pequeno Porto Franco inicia uma nova era estabelecendo contato direto pelo rio com o comercio de Belém do Pará. Com a presença de muitos fazendeiros como Valério Miranda, o major Custódio Barbosa, Antonio Benigno de Medeiros Nóbrega, e Francisco de Assis Nóbrega e seu pai João Nepomuceno Nóbrega que tinha bom relacionamento com todos os mercadores e criou a primeira escola primaria organizada em 1915 e muitos outros com intuito de ver aquele pequeno distrito se tornar cidade e ganhar sua próprio independência, resolvem criar a mais nova cidade do Maranhão.

Francisco de Assis Nóbrega se colocou a disposição para ajudar na emancipação político, dotado de grande sabedoria, tendo uma família em que todos eram professores e o faziam com amo. O pequeno vilarejo crescia e constituído de uma escola, uma igrejinha um cemitério onde José Joaquim Severino foi enterrado e duas casas comerciais.

No ano de 1918 houve a primeira manifestação da criação, mas as autoridades de Imperatriz não concordaram por falta de estrutura física no pequeno vilarejo.

O principal produto vendido era o querosene, os lampiões etc…

Então no ano seguinte todos até mesmo os que tinha alguma rixa, trataram de lutar juntos por um ideal. Era o ano de 1919 toda comunidade unida para conquistar um bem comum e em 02 de abril de 1919, o distrito de Porto Franco foi elevado à categoria de município com os seguintes limites; ao norte o município de Imperatriz; ao sul com o município de Carolina; ao leste com o município de Grajaú e a oeste, com o município de Boa Vista hoje Tocantinópolis separados pelo rio Tocantins, isso através da lei 1120, no governo estadual de Urbano Santos em 1º de dezembro do mesmo ano (1919), realizou-se nesta cidade a primeira eleição, que elegeu o prefeito, vice-prefeito e a primeira câmara de vereadores para assim instalar o nascente município, com apenas 235 eleitores, todos do sexo masculino, pois as mulheres eram excluídas sem vez e voz.

O mais interessante é que hoje 88 anos após a emancipação política esse numero de eleitores (235) não elege nem se quer um único vereador.

Então elegeu-se o tenente Valério de Miranda para o cargo de prefeito, Joaquim de Sousa Milhomem para vice-prefeito e a câmara ficou composta por, major Custódio Barbosa de Souza, o mais bem votado e então presidente da casa, José de Figueredo Brito, Rafael de Macedo, Alexandre de Sousa Milhomem e Manoel Gonçalves de Azevedo.

E finalmente em 1º de janeiro de 1920, Porto Franco foi desmembrado de Imperatriz, com instalação do município com sede na cidade do mesmo nome, em uma linda festa solene realizada na residência de dona Amélia Milhomem, sendo que nesta ocasião empossados prefeito, vice-prefeito e vereadores. As mulheres mesmo sem terem votado estavam bastante alegres.

Um grandioso churrasco foi servido e Francisco de Assis Nóbrega foi nomeado como primeiro secretario deste município e lavrou a ata de fundação de nossa cidade e nela confira o ato de criação e a lista das 78 pessoas que estiveram a frente deste ato solene:

Históricos dos Prefeitos de Porto Franco – Adaptado por Evaldo Jordan

Valerio Miranda – Logo após a posse do prefeito, o tenente Valério não tinha um plano de governo, mas pretendia mostrar trabalho para melhorar o aspecto físico de Porto Franco e edificar construções que traria o desenvolvimento.

Tendo ele contratado o jovem Francisco de Assis Nóbrega para ser seu primeiro secretario, onde um dos seus primeiros serviços foi lavrar a ata de fundação de Porto Franco.

Deoclides Santos – Nesse segundo mandato administrativo de 1925 a 1929 foi uma eleição bem disputada, o numero de eleitores que antes é 235 votos passa para 400 votos, no qual João Nonato de Oliveira ganhou para prefeito e o jovem Deoclides da Mota Santos para vice-prefeito.

Mas, aconteceu que João Nonato um dos fundadores de Porto Franco, estava bastante doente e a idade já avançada, só administrou um ano e veio a falecer no ano seguinte 1926. Demetrio Milhomem assumiu por 15 dias a prefeitura enquanto Deoclides santos se encontrava no Engenho Central (hoje é a cidade de Pindaré-Mirim) vendendo bois.

O vice-prefeito, o jovem Deoclides da Mota Santos assume a prefeitura e no mesmo ano inaugura três novas ruas em nossa cidade.

Deoclides Santos, católico e bem entrosado com frei Ângelo pároco da freguesia de Porto Franco que fez uma proposta ao prefeito: Quanto o mesmo queria pela praça Frederico Figueira, pois o local seria adequado para construção da igreja nossa senhora da Conceição. Mas o prefeito fez uma doação do terreno para a igreja.

O jovem Deoclides Santos governava com muita empolgação, mas um fato marcante o impediu de terminar seu mandato.

O país é tomado por grande reviravolta política, culminando com a vitória legalmente do Dr. Getulio Dorneles Vargas, que implantou o “estado novo” em 1930. nesse período seguinte cancelaram-se as eleições municipais e estaduais:

Câmaras de vereadores fechadas a exemplo dos estados passavam a ser administrativo por interventores federais e estaduais, Porto Franco fica sob o poder ditatorial no período de 1930 a 1947.

 

1932 a 1933 – Artur Milhomem, um moço culto e inteligente é nomeado e assume a direção do município. Deixou muitas lembranças, pelo zelo e pelo bom relacionamento público que soube dar à causa municipal. Sua esposa, dona Olinda Milhomem, e sua família embora pequena, herdou os predicados daquele cidadão.

1933 a 1934  – Um jovem conterrâneo, Florindo Santos, mais conhecido como por “Deco Santos”, administra Porto Franco. No final do mandato é substituído pelo político Adauto José Moreira.

1935 a 1936 – A prefeitura fica nas mãos do intendente Demetrio Milhomem, fundador e vereador no período de 1928 – 1930.

1937 a 1938 – O interventor estadual Dr. Paulo Ramos resolve nomear interventores municipais não radicados no município.

1939 a 1940 – Outro jovem, vindo de Grajaú, é nomeado para as funções de interventor. Seu nome Achiles Arruda.

1940 a 1942 – A administração municipal passa a ser desenvolvida, novamente, por gente daqui mesmo. O novo interventor é o jovem José Vasconcelos Milhomem. Moço competente, com tino administrativo, secretariado por seu grande amigo, o também jovem Antonio Gomes Pereira, dele a composição do hino oficial de Porto Franco para ser cantado na comemoração do vigésimo aniversario da cidade com a letra de outro amigo, Benedito Caxiense.

1943 a 1944 – A prefeitura está sob intervenção do carolinense Nelson Arruda.

1944 a 1945 – Outro carolinense, Raimundo Santos Sardinha, “Sr. Dudu Sardinha”, é o administrador.

1945 a 1947 – Final do período ditatorial. Tivemos como interventor o cidadão Joaquim da Rocha Brito.

1948 a 1951 – Nessa primeira eleição democrática foram candidatos a prefeito, pelo PSD, o abastado comerciante Otávio Franco; e pelo PST, o sertanejo Virgolino Tavares Vasconcelos. Foi a eleição mais rica e animada que Porto Franco presenciou. Quando da escolha dos candidatos, as famílias tradicionais e “pessedista” queriam como candidato um elemento da família Santos, mas a família Milhomem opinava pelo pretendente Otávio Franco.

E deu-se a cisão. Santos, Pereiras e Mirandas e mais outros tradicionais representações políticas, passaram a apoiar o veterano político João Walcácer de Oliveira, do PST.

Após muitos entendimentos, os dissidentes resolveram buscar no interior de nosso sertão um cidadão pobre, mas de forte carisma popular. Esse homem era Virgolino para prefeito e Joaquim Pereira para vice.

A campanha começa e o PSD, através dos irmãos G. Franco, derramam rios de dinheiro, mandam vir de fora serviços de som que o povo sequer conheciam, além das orquestras, vinda de Belém e de Carolina, que abrilhantavam seus bailes e comícios. Uma gravação em disco popular fazia o coro durante o dia, em sua amplificadora de som: “Bota a cana pra moer/ que a garapa vai correr / bota a cana pra moer…”. E chegou finalmente, 03 de outubro, dia da “grande moagem eleitoral”… O PSD não espera a grande surpresa: “na véspera da eleição, lá pelas 5 horas da tarde, sob a liderança de Valério Miranda, de Santos e irmãos, dentre outros, a praça Getúlio Vargas ficou literalmente tomada por eleitores do sertão.

Eles chegaram de uma só vez, como que tomando de assalto a cidade. Todos montados a cavalo. O adversário esmoreceu e as urnas falaram alto no outro dia. Foi o que poderia chamar de uma “grande vitória!”,

A administração do prefeito Virgolino foi muito boa. Ele era um sertanejo muito popular, querido por todos, um “mão aberta”, como era classificado pelos amigos. Entretanto, devido à sua popularidade, estava rodeado, quase sempre, de uma chusma de aproveitadores. Nesse período melhorou-se o ensino primário e foram vindas professoras de fora do município.

Alguns melhoramentos na sede, como a construção do primeiro  posto médico, o inicio da construção do Mercado Municipal, o agrupamento de escolas na sede do município, fazendo a unificação das mesmas levando o nome de escolas reunidas e admite Waldemar Gomes Pereira como diretor.

1951 a 1954 – Eleições democráticas foram promovidas ainda no ano de 1950. Em 03 de outubro daquele ano, o eleitorado voltou as urnas, elegendo Fortunato Bento Macedo prefeito municipal e Valentin da Silva Aguiar vice-prefeito, pelo PST. Eles venceram com certa facilidade o seu opositor, o “pessedista” Elpídio Milhomem.

1955 a 1959 – Foram procedidas as eleições municipais para novo período administrativo, e, desta vez, em 03 de outubro de 1954, por maioria absoluta de votos, Alfredo Santos prefeito e Demetrio de Sousa Milhomem vice, tomaram posse no dia 31 de janeiro de 1955 para governar no período de 1955-1959. O prefeito era um homem de idéias fortes e tomava decisões acerradas como, por exemplo, cobrava imposto de gêneros alimentícios os quais eram cultivados em nosso município.

1959 a 1965 – As eleições municipais de 03 de outubro de 1958 mudam radicalmente o panorama político e partidário de Porto Franco. E volta à antiga oposição. Anísio Bandeira de Miranda vence o referido pleito, elegendo-se prefeito municipal, tendo como vice Natividade José Marinho. Muitos transtornos e reviravolta aconteceram nos cargos públicos. Os cartórios perdem seus antigos titulares. A administração se caracteriza pela contenção nos gastos públicos e muita honestidade em todos os sentidos.

1965 a 1969 – O prefeito anterior fez seu sucessor no pleito de 03 de outubro de 1964. Gerôncio de Sousa Milhomem e Lourival da Silveira Milhomem são eleitos prefeito e vice-prefeito, respectivamente, para um mandato que se inicia em 31 de janeiro de 1965, terminando em 31 de dezembro de 1969. A administração desse período é mais voltada para a zona rural, com a construção de pontes e pequenas estradas vicinais para o escoamento de nosso produto.

1970 a 1972 – Para que fossem realizas eleições conjuntas nas esferas municipal, estadual e federal, o calendário eleitoral foi reajustado e criou-se um “mandato tampão” de dois anos para os futuros prefeitos. Assim tivemos a eleição de Lourival da S. Milhomem e seu vice Uilson Marinho Vasconcelos, candidatos únicos, que foram empossados para o período administrativo de 1º de janeiro de 1970 a 31 de janeiro de 1972. Lourival fez um bom governo, apesar da exigüidade de tempo. Melhorou bastante o visual da cidade, abriu mais ruas e travessas, iniciou um calçamento mais moderno, ampliou a rede de eletrificação, abriu mais escolas no interior e na sede municipal e colaborou com os estudantes que atravessavam diariamente no rio Tocantins para cursarem o ginásio no colégio “Dom Orione”, em Tocantinópolis franqueando – lhes as passagens. Ganhamos ruas asfaltadas. O Ginásio da CNEC foi reconhecido, suas instalações reformadas e ampliadas.

1972 a 1976 – Realizadas as eleições municipais de 03 de outubro de 1971, Raimundo de Souza Milhomem é eleito prefeito, sendo o vice – Francisco Gomes de Oliveira. Essa primeira gestão de “Raimundinho”, pois o progresso que chegava ao município exigia pressa em obras de infra – estrutura. Saldo positivo foi a manutenção da campanha de Educandário da Comunidade “CNEC”, que, com seu apoio, criou o “curso Normal Ginasial de Porto Franco”, para atender a demanda escolar que fluía para Tocantinópolis. Outras realizações: o calçamento de ruas e a assistência a carentes. O Mercado Municipal foi demolido e em lugar nasceu um pequeno prédio para abrigar a câmara municipal.

1977 a 1981 – Mas o povo estava insatisfeito e exigiam mais. Em 3 de outubro de 1976 aconteceu nova eleição municipal. Divergência políticas já havia entre Raimundo e Bandeira e os velhos partidos já fragmentados. Waldemar seria candidato único, pois todos os partidos tendiam a lhe apoiar. Um certo incidente entre Bandeira e Raimundinho, quando se apresentou o nome do amigo Lourival Milhomem para vice – prefeito, entornou todo o caldo todo o  das negociações. Daquela reunião ficou fracionado a ARENA, surgindo então juntamente com Paulino Gomes de Abreu, para prefeito e vice, respectivamente, candidatos pela ARENA 2 e os nomes de Uilson Marinho Vasconcelos e Valmir Aguiar como candidatos da ARENA 1.

1983 a 1988 – A sucessão municipal foi feita em eleição realizada no dia 15 de novembro de 1982, que acabou por eleger Raimundo de Souza Milhomem, prefeito municipal, em reeleição e Vicente Ribeiro, vice – prefeito, para o período iniciado em 31 de janeiro de 1983 e terminado em 31 de dezembro de 1988.

1989 a 1992 – Outra virada eleitoral deu – se no pleito municipal de 15 de novembro de 1988.

A oposição surpreende e vence a contenda. Uma meia dúzia de partidos se coligam e elegem Valmir   Carvalho Aguiar prefeito e Daltro Pereira Filho vice. O mandato estendeu – se de 1° de janeiro de 1989 a 31 de dezembro de 1992. colégios estaduais são instalados, tanto na sede como nos distritos de São João do Paraíso e do Campestre. São construídas duas pistas asfaltadas que dão acesso à cidade, vindas do entroncamento.

1993 a 1996 – Promovidas as eleições de 15 de novembro de 1992, agora, quatro candidatos a prefeitura. A disputa pelo poder desta vez interessa a todos. Vence com mais de 50% dos votos apurados o jovem advogado descendente da tradicional família Santos – Deoclides Antonio Santos Neto, ou Deoclides Macedo, que traz como seu vice o cidadão José Miranda de Campestre. A posse deu – se no dia 1° de janeiro de 1993, para uma gestão de quatro anos, concluída no dia 1° de janeiro de 1997. Rompe – se uma estrutura administrativa regular para ser iniciada outra, revolucionária, moderna e bem mais ao alcance do povo. Recebeu uma cidade cheia de problemas e um município carente, com distritos e povoados clamando por melhoramento, principalmente nas áreas de saúde, educação, transporte e obras de infra – estrutura. Assumiu com coragem e escolheu seus auxiliares diretos entre seus conterrâneos mais capacitados. Governou com equidade e sua popularidade cresceu.

1997 a 2000 – Para o mandato atual , 1997 – 2000, realizaram – se eleições democráticas que renovaram, também , a representação legislativa. Com certa facilidade, o povo elegeu prefeito municipal Erivaldo Marinho de Aguiar e vice – prefeito Fortunato Macedo Filho, dois jovens filhos da cidade que se propõem a dar continuidade ao trabalho administrativo do prefeito anterior. O município é reduzido com a emancipação de Campestre e Paraíso cabendo ao executivo municipal trabalhar mais na sede.

2001 à 2004 – Com o final do mandato do Sr. Erivaldo Marinho de Aguiar, assume o executivo municipal o Sr. Josimar Nogueira da Silva (Fia) com o eslogan

Este, que de inicio reformou o prédio da secretaria de saúde e concluiu o pagamento do mesmo, sendo que havia sido comprado em 60 parcelas no governo anterior, do INSS.

Reformou a prefeitura, a garagem e resgatou a credibilidade da prefeitura (a qual até hoje é mantida pela administração atual).   Teve seu governo mais voltado para zona rural. Onde construiu as seguintes escolas; Maravilha, José Fonseca Porto, Água Azul, Irmã Dulce e Rosa Rodrigues da Silva.

Recuperou mais de 200 quilômetros de estrada vicinal.

2005 à 2008/2009 – 2012 – Em janeiro de 2005 assume novamente a prefeitura de Porto Franco, Deoclides Macedo resumindo seu plano de governo sobre dois aspectos: Visão e Missão. VISÃO – Ser referencia em gestão publica participativa, investindo na capacitação e valorização dos colaboradores e na eficiência da estrutura administrativa para construir um município com desenvolvimento sustentável, qualidade de vida, justiça social e exercício pleno da cidadania.

2013 a 2016 – Ederson Marinho – Prefeito atual

Fonte – Livro “Porto Franco, terra que amo” – Renato Sérgio C. Carvalho

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